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Recentemente, viralizou na internet um comercial da Volkswagen que foi estrelado por Elis Regina, cantora brasileira já falecida há 41 anos. O feito só foi possibilitado graças ao uso de tecnologia, que permite recriar qualquer rosto humano e inserir em modelos vivos. A ação publicitária da empresa levantou muitas polêmicas acerca de famosos ressuscitados por Inteligência Artificial (IA).

Entenda mais desse processo feito por meio da IA, entenda seus dilemas éticos e veja mais outros 5 artistas recriados com a tecnologia!

Como funciona a recriação de famosos ressuscitados por Inteligência Artificial?

A recriação acontece graças ao processo de deepfake.  A Inteligência Artificial coleta uma grande quantidade de dados da pessoa que será replicada, juntando fotos, vídeos, entrevistas, gravações de áudio e todo material arquivado que poderá contribuir para a criação de um modelo mais um resultado mais convincente.

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Com essa base de dados bem completa, os algoritmos de aprendizado de máquina da IA podem ser devidamente alimentados.

Esses algoritmos sãos projetados para analisar precisamente as características mais distintivas de uma aparência de uma pessoa, como:

  • Voz
  • Gestos
  • Estilo de fala
  • Expressões faciais

Entre outras.

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Após a análise, a IA cria um modelo virtual da pessoa que será replicada. Esse avatar 3D, que é uma representação digital do famoso, pode ser animada e manipulada de acordo com os comandos estabelecidos na tecnologia.

A voz do artista também é simulada, podendo reproduzir falas nunca ditas pela pessoa representada pela IA.

Embora a representação tenha seus defeitos, é inegável a precisão com que a tecnologia acerta em alguns detalhes.

Vale ressaltar que a tecnologia pode se aprimorar constantemente através da coleta de mais dados e do processo de Machine Learning.

Famosos ressuscitados pela IA

Não há um consenso de qual foi o primeiro artista representado pela tecnologia, mas o uso dessa ferramenta têm seus primórdios há mais de uma década.

A tecnologia vem se aprimorando exponencialmente, e já “ressuscitou” várias pessoas famosas.

Tupac

Um dos primeiros casos de recriação por meio de IA que se popularizaram na internet.

Durante o festival de música Coachella, em abril de 2012, Dr. Dre e Snoop Dogg estavam performando juntos no palco. De repente, o lendário rapper Tupac Shakur apareceu de forma surpreendente durante a apresentação.

A inovação foi feita pela empresa de efeitos visuais Digital Domain, em colaboração com a equipe dos artistas que estavam apresentando.

Utilizando a técnica conhecida como “pepper’s ghost”, uma representação digital de Tupac foi combinada com os movimentos de um ator que o interpretava.

Durante o show, a imagem foi projetada em um espelho próximo ao chão e refletida em um painel de vidro transparente inclinado a 45 graus em direção ao público. Isso permitiu que a plateia visse uma imagem ampliada de Tupac, criando um efeito visual impressionante.

No entanto, é importante notar que, embora parecesse tridimensional, a imagem era, na verdade, plana devido ao ângulo e à escala da projeção. Portanto, embora seja comumente chamada de “holograma”, tecnicamente o termo não se aplica corretamente nesse caso.

tupac

Michael Jackson

No Billboard Music Awards de 2014, uma representação digital póstuma de Michael Jackson foi apresentada no palco.

O holograma do Rei do Pop, que faleceu em junho de 2009, foi projetado durante a performance da música “Slave to the Rhythm” para promover o álbum “Xscape”.

No entanto, a exibição quase foi cancelada devido a disputas legais. A tecnologia usada para criar o holograma de Jackson foi aprimorada pela empresa Pulse, por meio da técnica conhecida como “Pepper’s Ghost”, a mesma utilizada para recriar Tupac, o rapper, em 2012.

Michael Jackson

Paul Walker

Paul Walker morreu tragicamente em um acidente de carro durante o período em que gravava “Velozes & Furiosos 7”, em 2012. Seu personagem, “Brian O’Conner”, era um dos protagonistas da saga, o que gerou um grande problema de roteiro tendo em vista que o ator não chegou a terminar suas gravações.

Para tentar reverter a situação, o diretor e os roteiristas decidiram encerrar o arco narrativo de Brian naquele filme, homenageando seu falecido intérprete.

Para isso, a produção do filme convidou os irmãos mais novos de Walker para ser modelo de corpo do personagem de Brian. Os artistas então utilizaram da Inteligência Artificial para manipular os rostos de Cody e Caleb Walker, na intenção de recriar a face de Paul com modelos similares a ele.

Paul Walker

Kurt Cobain

O vocalista da Nirvana, banda de rock de grande sucesso dos anos 90, foi ressuscitado como campanha de marketing para o lançamento de uma música.

“Drowned in the Sun” foi uma canção de um projeto que homenageava vários artistas e famosos que faleceram em função de crises de saúde mental.

Kurt Cobain

Marilyn Monroe

A famosa atriz americana foi revivida para uma pela publicitária da Dior, empresa de perfumes. Na propaganda, Marylin Recebe o perfume “J’Adore” diretamente das mãos de Charlize Theron.

Marlene Dietrich e Grace Kelly, que também já faleceram, fazem uma ponta especial no vídeo por meio da mesma tecnologia.

Marilyn Monroe

Limites éticos e perigos do uso da ferramenta em famosos

É importante ressaltar que a recriação de famosos falecidos por meio de IA é um assunto ético complexo e controverso. Além das disputas de direitos autorais de imagem, já muito comuns na indústria, existem muitas discussões éticas e morais que devem ser refletidas nesse processo.

Dentro de um âmbito mais emocional, muitas pessoas discordam do uso de imagens já falecidas para a produção de qualquer tipo de conteúdo.

O argumento é de que, mesmo que o uso tenha sido autorizado pelos detentores do direito de imagem daquela pessoa, é antiético produzir falas e ações de uma pessoa que não está mais aqui e, consequentemente, não tem poder para decidir se quer sua imagem atrelada à aquele tipo de produto (comercial ou não).

Outro fator a se levar em consideração é os perigosos que a manipulação de imagem pode oferecer. Infelizmente é cada vez mais comum se deparar com a produção fake news, e a possibilidade de criar e vincular uma fala fictícia a uma pessoa só torna o risco ainda mais perigoso.

A situação já é totalmente antiética se feita com alguém vivo, que ainda pode entrar com ações judiciais contra esse crime, mas no caso de pessoas já falecidas é bem pior, já que elas não podem se defender de mentiras contadas a seu respeito.

A tecnologia vem se popularizando muito nos últimos tempos. Vários programas se já utilizam de ferramentas super desenvolvidas para alcançar uma maior precisão na recriação de famosos, como o Deepfake Maker. Por isso, é de extrema importância se certificar dos riscos da Inteligência Artificial na manipulação de imagens.